CURRÍCULO – FILOSOFIA E DOCUMENTOS BÁSICOS
por
Vilma de Carvalho e Colaboradoras


Responsabilidade Social da Enfermeira

Conceituando a enfermagem como profissão a serviço do bem-estar humano, definitivamente comprometida com propósitos que garantam a provisão de oportunidades assistenciais de elevado nível qualitativo, disponíveis e acessíveis a todos, o corpo docente Escola de Enfermagem Ana Néri reconhece que os enfermeiros têm a obrigação moral e profissional de participar, individualmente e coletivamente, dos programas e planos que tenham por meta alcançar esses propósitos.
Acreditando que a função primária da enfermagem, no campo de saúde, é a que diz respeito à participação na prestação de serviços à sociedade, a Escola de Enfermagem Ana Néri sublinha, em primeiro lugar, que a enfermeira apropriada aos termos da época e, quiçá, dos anos futuros, terá a obrigação de evidenciar condutas coerentes com o princípio de que o direito que toda pessoa tem a saúde implica o direito de receber adequada assistência de enfermagem. Em segundo lugar, por força da posição a que tem direito, a enfermeira estará irrevogavelmente comprometida a manifestar atitudes que revelem a convicção de que, como membro da equipe de saúde, é responsável pela melhoria do nível de saúde da população.
Tendo a equipe de saúde como responsável pela identificação das necessidades de saúde da população e visto que as ações de enfermagem integram um contexto de ações globais de saúde, a Escola de Enfermagem Ana Néri reconhece que o profissional de que necessita o país é a enfermeira capaz de aceitar que as funções que exercem devem ser constantemente criticadas e revisadas, em razão da necessidade mesma de redefinição do papel que lhe é próprio em face das exigências sociais.
A redefinição do papel da enfermeira, ressalvada os fins e os objetivos profissionais, implica tanto a reformulação de objetivos de ensino, como a reconsideração de esquemas práticos que servem de apoio às ações de enfermagem, no cenário da prestação de serviços a população, a necessidade de se encarar a formação do profissional, mediante uma estrutura curricular que atenda à complexidade crescente das atribuições impostas à enfermeira, e mais condizente com a implantação de estratégias apropriadas à resolução de problemas de saúde individual e coletiva, evidencia também a necessidade de se re-pensar os esquemas usados na assistência de enfermagem através da investigação sistemática de problemas afins.

Filosofia Educacional

A Escola Ana Néri, desde sua fundação, tem a finalidade de preparar pessoal de enfermagem de alto nível, cujas potencialidades possam ser desenvolvidas de modo a prover base para o contínuo crescimento. A formação do profissional de enfermagem exige que se atribua a devida importância à saúde e ao bem-estar das coletividades e requer, por isso mesmo, o desenvolvimento de competências ou habilidades adequadas ao papel da enfermeira na sociedade brasileira.
A Escola de Enfermagem Ana Néri aceita o princípio de que o estudante deve ser encarado como o responsável maio por sua própria aprendizagem. As atividades curriculares são entendidas, então, como suficientemente flexíveis para dar a cada um a oportunidade adequada ao alcance de competências desejadas. Assim, é imprescindível que o estudante seja percebido por todos, como pessoa que tem direitos e necessidades próprias, tal como ele deve se perceber e vir a perceber seus pacientes e aos demais.
Nesse sentido, as atividades curriculares programas têm por objetivo capacitar o aluno a empreender a busca do autoconhecimento e do aperfeiçoamento pessoal e profissional e visam ainda a utilização do pensamento reflexivo, da inquirição crítica e da criatividade, seja no interesse do reconhecimento dos direitos e dignidade própria do homem, da avaliação de fatores que interferem na saúde individual e coletiva, do desenvolvimento de relações interpessoais produtivas, ou da manifestação de atitudes responsáveis frente aos fins e aos valores da própria Escola, da Universidade e das Associações de Classe.
A Escola Ana Néri reconhece, portanto, que os estudantes têm o direito de participar no planejamento e na seleção de experiências de aprendizagem. A avaliação contínua da aprendizagem, por parte dos estudantes e dos docentes de enfermagem, é encarada como essencial ao desenvolvimento de suas perspectivas como pessoa, membro da sociedade e membro de uma profissão.
A abordagem às situações de ensino e aprendizagem é baseada na aquisição e na aplicação de princípios científicos, como fundamento lógico para as ações de enfermagem, e enfatiza o desenvolvimento do processo de enfermagem em situações que envolvem ajuda a indivíduos, a famílias, a outros grupos da comunidade, e à comunidade como um todo, e não o simples aprendizado de tarefas.
Considerando que as experiências de aprendizagem dos estudantes, nos campos de prática, são da responsabilidade primeira e última de cada um dos membros do corpo docente, assim como a direção da assistência de enfermagem, incluindo o produto-trabalho dos estudantes é de responsabilidade primeira e última de cada um dos enfermeiros que integram os serviços de enfermagem das instituições de saúde, a Escola de Enfermagem Ana Néri reconhece que a responsabilidade pela aprendizagem dos estudantes de enfermagem é compartilhada pelas enfermeiras dos serviços, assim como entende que os docentes de enfermagem são, também, co-responsáveis pela assistência de enfermagem prestada à clientela.
A Escola Ana Néri, em suma, entende que a formação profissional deve focalizar o preparo de enfermeiros que busquem não somente questionar a própria posição face às mudanças que ocorrem na realidade social, mas que sejam capazes de, ¾ embora reconhecendo o direito de autodeterminação, em questões de saúde, que têm os indivíduos, os grupos ou a comunidade como um todo ¾, mobilizar os recursos necessários à identificação de problemas, ajudar na escolha de soluções alternativas, implementar a assistência específica nas situações que assim o exijam, e que sejam capazes, principalmente, de reivindicar a responsabilidade pelo controle das atividades que envolvem as decisões, as intervenções, ou as prescrições acerca de cuidados de enfermagem.


Marco Conceitual do Curso

O marco conceitual representa a síntese do pensamento do corpo docente da Escola no que concerne à significação do posicionamento da enfermeira frente a sua clientela e constitui o elemento nucleador para o novo currículo.
Explicitamente a proposição é a seguinte:
“A ENFERMEIRA atua como fulcro de um PROCESSO do qual emerge a prática total da ENFERMAGEM entendida como a CIÊNCIA e a ARTE DE AJUDAR a indivíduos, grupos e comunidades, em SITUAÇÕES nas quais não estejam capacitados a prover o AUTOCUIDADO para alcançar seu nível ótimo de SAÚDE”.

Esquema Conceitual

Para se garantir a coerência e a organicidade da estrutura curricular a ser elaborada, definiram-se elementos de integração vertical – fios condutores para uma organização seqüencial; e elementos de integração horizontal – núcleos de interdisciplinaridade, articulados num esquema conceitual.

Esquema Conceitual Básico

Como elementos de integração horizontal, permeando todo o currículo nas diferentes etapas e servindo como núcleos articuladores das diferentes disciplinas foram selecionados:

  • O processo de enfermagem em várias situações-problema;
  • A dimensão histórico-filosófica (a partir da situação atual para a análise dos antecedentes e das perspectivas);
  • A atitude intelectual sintético-analítico-sintética, e
  • Os problemas de saúde prioritários no país.

A inter-relação desses elementos forma o arcabouço que servirá de apoio à definição das etapas curriculares na perspectiva da seqüência e das unidades curriculares na perspectiva horizontal.

 

Filosofia-e-Marco-Conceitual

Elementos da Integração Vertical   Especificações
     
  • Papéis e Funções da/o Enfermeiro/a
 

Pessoas, socius, educador, membro de equipe, técnico, chefe.

     
  • Grau de Competência Profissional
 

Universitário esclarecido, estudante de enfermagem na assistência primária, secundária, terciária e na reabilitação, integrante da equipe de saúde.

     
  • Relações Interpessoais
 

Dinâmica de grupo, autoconhecimento, conhecimento do outro.

     
  • Objeto da Assistência de Enfermagem
 

Comunidades, grupos, indivíduos.

     
  • Âmbito de Prestação de Serviços de Enfermagem
 

Coletividades sadias, centros de saúde e ambulatórios, hospitais, pessoas com dificuldades de integração, micro-região de saúde.

     
  • Etapas do Ciclo Vital
 

Materno-infantil, pré-escolar, escolar, adolescente, adulto, velho.

     
  • Continuum Saúde-Doença
 

Sadio, convalescente, crônico, agudo, crítico, deficiente, inadaptado.

     
  • Níveis de Assistência de Enfermagem
 

Primária, secundária, terciária, quaternária.

     
  • Níveis de Prevenção
 

Primária, secundária, terciária.

     
  • Aplicação do Método Científico a Vários Processos
 

Educação para a saúde, administração, assistência de enfermagem, planejamento de saúde, pesquisa.

UFRJ EEAN - Escola de Enfermagem Anna Nery
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